segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Amor e sofreguidão


Nua sob o luar claro;


Suave voz de cor cristalina.


Nossas vezes raras porém intensas.


Cálido silêncio, provocante.


Delírios febris;


Calafrios, suores frios...


Não saberia nunca, se não provasse.


Prova de fogo e dor;


Indispensáveis para ferver nesse amor.


Tudo se faz manso madrugada a fora.


Repousar sob seu peito;


Enquanto no mundo está o burburinho lá fora.


Estive em seus passos, sem ser notada;


Vivendo desacompanhada,


E acompanhando cada nota que emitia.


Infiltrada nas entranhas de sua tez.


E no agora outra vez;


Caminhando a passos calmos,


Uma espera longa aos desejos meus.


Suave a volúpia do encontro, tão natural!


Mas nada foi igual, ou talvez sim?


Iguais somos nós em corpos tão diferentes!


Nas vontades, na coragem e mágoas também.


Talvez ninguém possa saber...


Ou será que todos já sabem?


Acredito que não.


Sua boca devora o que separa,


Enquanto expele a mentira convincente.


Será que verdadeiramente não sente?


Ou foi mais uma de suas fugas?


Estratégia de mudas ilusões.


Mas o que aquece também pode queimar;


E nas marcas eu vou estar.


Assim quando fitares o espelho


Ou em qualquer direcção a esmo,


Saberá exactamente onde colherá as flores,


E onde estarão os espinhos do caminho.


Estarei talvez só ou muito bem acompanhada;


De uma solidão rara...


Sofreguidão das pausas de uma canção,


Que eu mesma compus.




Marta Vaz


Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...