Pensamentos, reflexões e versos que expressam o que é mais velado, desnivelado em mim.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Salva-me (Ao Surrealismo)
Salva-me de tudo que seja deveras perfeito. Salva-me para que prove do imperfeito e morra do amor que cala em mim.
Marta Vaz
Foto: Obra a persistência da memória de Salvador Dali.
Memória da Alma
Alma em rasante livre galgando sonhos.
Que trazes para que em mim finde?
Dei-me um motivo para seguir.
Roubastes o pouco da minha inocência,
Arrancando minha tranquilidade.
Que tanto de encanto é esse que em ti sublima?
Deixe-me entender?!
Pouco até aqui provei a ti,
Muito ao que exaspera é iniquidade.
Não trago razões e os motivos escorrem pelos dedos,
Como a todo sentimento a que chamo de amor.
Tanta inspiração brota em ti, alma companheira!
Perfume de uma rosa pálida,
Que o cálido provoca.
Esparge vapores como ares de pura esperança,
Beleza triste que toca profundamente.
Quem dera ser o poeta que a ti suplica!
Alma em forma de rosa, purifica-me.
Repouse tuas pétalas, misture-te a mim.
E quando tudo passar, seremos memória.
Marta Vaz
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Noites e desejo
Faz frio em minha alma.
Desejo um casaco,
Um abraço ou um beijo teu, talvez.
Fiz cheiro da tua ausência,
Nas paredes ao chão;
Exala da alma pelo coração.
Mais um pouco,
Imagino nossa história.
Só assim suporto a falta.
Um suspiro arranca a atenção,
Roubando todos os sentidos.
Sonho o céu estrelado e a nossa lua.
A leveza do voar,
Perder-me em tuas cores lisas, sem vestes.
Vibrar pelo que escapa até mim,
Atingir teu peito em cheio;
Matar nossas vontades,
Ceder aos teus caprichos.
Ser tua, não por uma noite apenas,
Ser parte da tua vida.
O amor por noites inteiras,
Ou até que o desejo esgote em si.
Marta Vaz
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Âmago
Danço com ritmo,
A dança da alma.
Exalando encanto,
Aspirando liberdade.
Saúdo a natureza,
Expressando o amor.
Tenho fé na vida,
Encarando-na de frente.
Não trago e nem levo bagagens,
Sentindo intensamente cada passagem.
Aprendi com perdas;
E ninguém é meu.
Desejo o que muitos querem,
Levando apenas o nada inerente.
Sou fruto da terra,
Sorvida por mentes.
Sinto o vento na pele,
Deixando-me voar.
Sou leve como pluma;
Intensa como vulcão.
De vontades nuas,
Formas em construção.
Sou o tempo que não para,
Agregando sentimentos.
Sou o talvez do agora,
E quem sabe do amanhã a semente.
Marta Vaz
terça-feira, 12 de junho de 2012
Ao Amor, a você.
Tanto chão, tanta terra, tanto mar,
Até encontrar aquele olhar.
Uma certeza tão intima, tudo tão peculiar!
Suavidade na expressão,
E alguma dor, talvez...
Um amor deslocado,
Em desencontros em algum passado.
Salta como um sonho,
Expõe-se em presente.
Sublimando toda falta
Aninhando na alma da gente.
Pobres corações céticos!
O que fizeram com o encanto?
Jazia num canto qualquer,
Agora vive sua vez.
Desliza todo na vontade,
Flui e segue livre...
Não é prisioneiro de coisa alguma.
De matiz ardente em boca carmim.
Traduzido em versos,
Calando intensamente em mim.
Marta Vaz
sábado, 9 de junho de 2012
A Dança
Corpos soltos no espaço
Em cada passo, levitam.
Onde está o amor?
Movimenta o corpo nela.
Corpos suados, colados.
Boca quente,
Cheiro inebriante.
Convite à paixão,
Escorre pela pele e pelo salão.
A Luz é toda ela.
Sonhos de muitos,
Escapando de mim.
Marta Vaz
Foto: Richard Young
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Chama Gêmea
Par da minha alma,
Receba minha gratidão.
Lembremos apenas o que foi bom.
Ainda sinto o cheiro das flores em tuas mãos,
Creia, é amor.
Tudo o que somamos,
Cada olhar, cada sorriso...
Encanto vívido na memória.
Pode parecer loucura,
Mas não para quem ama.
Fotografia do teu melhor
Tatuada em mim.
Marta Vaz
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Efêmera
És bela,
Mesmo triste.
Atirada pela
janela,
Como é bela!
Beleza roubada;
Imaculada em cores frias.
Lembra amor,
Cheira à morte
também.
Bela por ser
efêmera.
O efêmero que
eterniza,
Como a pitonisa;
De pura excitação e
encanto,
Exercidos de mim.
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