
Amo escrever,
Soltar verbos e adjetivos no papel.
Transmutar-me em cada letra que escrevo
Ir devagarinho me reinventando
E quando penso que tudo está bem...
Apago, rasgo, borro e continuo a construir-me
Em cada frase posso ser artista ou plebeia
Posso estar escondida ou escancarada como numa janela
Mas sempre de forma subliminar, gosto de testar
Provar o gosto das imaginações.
Marginal, racional, desigual, virginal ou sem definição.
Sempre uma surpresa, uma incógnita.
Abuso de expressões nada vulgares
Gosto do belo, da estética, da métrica
Do assimétrico também
Sou amorfa quando começo a compor-me
Tomo a forma que desejar
Crio asas como passarinho
Ou conchas de madrepérola
Sou dele ou dela
Depende do nome que adquira
Mistura apetitosa como cambuquira
Dengosa, manhosa como marola em areia fina
Nada grã fina, sou povo
A morena que servia pão
Ou o pão que matou a fome
Mas gosto do que é mel
Lambuza na boca
Se esquece pecado
Por doce e fluido
Se come molhado
Se torna gemido
Se for apressado
E retira de onde se torna encorpado.
Marta Vaz


