sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Movimentos


Hoje meus pensamentos tortos fervilham,
Estamos em ebulição, eu e minha mente.
Pode parecer loucura desconectarmos uma da outra.
Mas nem sempre sigo o que ela deseja,
Criei minha alforria;
Depois de uma vida inteira de modelos pré-definidos,
Maneiras e censuras, se deixar somos engolidos
Pensamentos como bocas lotadas de dentes afiados
E uma língua que não aquieta-se;
Basta um suspiro e logo ela vem dar suas opiniões.
E é poliglota, não se iludam, adapta-se a qualquer idioma.
Por isso sou adepta ao silêncio,
Nele sou eu quem penso e calo minha mente.
Os sentimentos fluem, isso é bom!
Vou deixa-los agora.
No silencio estou nem sempre muda,
Mas mudando sempre, pois a vida é isso.
Movimento.
Marta Vaz

domingo, 23 de janeiro de 2011

Quem somos?


Paredes nuas em nuance suave
Olhos vivos, especulativos..
Tudo é milimétrico escrito;
Num segundo sou como uma cebola,
As camadas caem uma a uma.
Formo um tempero com minhas histórias.
Vejo você cozinhando tudo em "banho-maria".
Não sei se sou eu quem sirvo ao seu paladar.
Será?
Numa postura segura, veste-se com uma capa grossa.
Até a alma está vestida.
Isso é o que deseja que eu acredite,
Sou cética e o conformismo não combina com meu ser.
Não corro e nem espero.
Hoje só observo cada movimento da vida.
Sou movida pelo amor;
Tudo que toca-me, fatalmente será meu foco.
Dos seus contornos faço meus traços;
Assim vou tangendo quem é você.

Marta Vaz

domingo, 14 de novembro de 2010

Versos em Reversos: Hoje

Versos em Reversos: Hoje: "Coração apertado em nó quase cego;Não desejo o descanso. Um segundo pode ser arrastado,ou traidor para quem fica.Nessa esquina não existem ..."

Hoje


Coração apertado em nó quase cego;
Não desejo o descanso.
Um segundo pode ser arrastado,
ou traidor para quem fica.
Nessa esquina não existem faróis.
O vai e vem é intenso,
como todo sentimento que transborda.
Se estou em silêncio é para ouvir um coração
Sei que ele pode parar de bater
Mas não importa o tempo;
Quero ouvi-lo até seu último toque...
E que isso toque a todos,
Que nisso esteja o belo!
Derramarei a minha doce saudade,
Inspirarei a tristeza
E exalarei doçura.
A emoção não deve pesar além dos pesares.
Na medida exata será meu adeus.
E não levaremos as flores...
Mas veremos germinar sementes.
Deixemos que se façam frutos.
E que se provem deles,
Para que a vida continue.
E que o amor seja a única certeza,
Que tudo sempre valerá a pena.
Mesmo diante do último suspiro.
O amor, você e eu hoje somos eternos!
Marta Vaz

domingo, 12 de setembro de 2010

Orquídeas


Hoje recebi orquídeas;

Com elas várias reflexões.

Dentre muitas uma destacou-se,

E disparou meu desabafo:

" Nunca retire a esperança de alguém,

essa pode ser a única coisa que essa pessoa tenha."

Escolhi algumas palavras para descrever algo muito meu:

Deus muitas vezes chama alguém muito querido;

Nesse exato momento parece retirar-nos toda esperança.

Mas ele sempre nos deixa algo novo;

Até mesmo pela transformação daquela matéria que era nosso amor.

As dores das perdas nos fortalecem,

Mas se principalmente a elas não ficarmos atrelados.

O inevitável da morte é a saudade!

Mas quantas saudades vivas existem?!

É isso que desejo imortalizar aqui;

Quando com a perda, vestiu-se de dor!

Retirou-se para selar seu inconformismo.

Muitos sofreram a perda, não só a pela morte.

Mas a tudo que por ela se fez deserto.

E naquele momento,

Você era a minha única esperança;

Atado a dor de uma perda que não voltaria mais.

Não tenho que lhe perdoar!

Arrancada como a orquídea,

Exalo a beleza e continuo a exaltar o amor.

Pois nem tudo é efêmero na vida.


Marta Vaz

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Hoje


Hoje escolho a arte,

Qualquer forma de expressá-la.

Com ela amplio sentimentos,

Por ela exponho momentos.

Sem ela, não sei o que seria?!

Sendo noite ou dia,

Nada mais importa.

Quando com um beijo,

Selo o encontro do eu com o sou.

Sigo nesse caminho;

Assim nunca estarei sozinho.

Atado com a arte,

Sinto o meu coração.

Marta Vaz



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A menina que vestia rosa



Ela era uma menina que vestia rosa.


Tocava em nuvens com os pés;


Doava sonhos!


Alguns chamavam-na de anjo;


Mas era mais uma menina que vestia seu sonho.


Ela não era "pequinês",


E isso a fez crescer.


Tornou-se adolescente,


Descobriu-se mulher.


E continuou a ter sonhos;


Só que não os doava.


Não lembrava como teria que fazer?!


Seus pés tocavam chão.


Muitas vezes andava em ovos, não mais em algodão.


Do rosa que vestia transformou-se em flor.


Ela conheceu o amor;


E as dores também vieram.


O sorriso deu lugar ao silêncio;


Hoje ela chora!


Pinta-se para disfarçar o pranto;


E o quanto o esquecimento a fez assim.


Uns dizem que se trata de um personagem dela;


Outros nem a reconhecem, ignoram-na.


Encontrei com ela.


Sabia que era ela!


Quando cruzamos o olhar,


Mesmo com tanto a lembrar!


Percebi que o aço do espelho mesmo frio,


Não muda, mesmo calado.


Ela em pedaços,


Refletida pela luz, era aquela!


Que um dia, um sonho fizera-me ter.


Marta Vaz




Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...