terça-feira, 11 de agosto de 2015

Sempre Recomeços


Tantos caminhos, palavras desmedidas
Músicas, livros, em todo lugar...
Muitas perguntas, poucos gestos.
Certas ou erradas?
Respostas desencontradas 
Mas em nós pertinentes.
Incoerentes ou inocentes,
São nossas
Ora em mim outra em você.
Flores não crescem em lápides
Não precisamos de heróis mortos
E sim do desejo ardente, vivo
Já existente em nós.
Aquele que move 
Comove montanhas
Nas entranhas, nos poros escapa como Arte.
Ser eu ou você
Do anonimato ao estrelato
Simples ou complexo
Não paciência apenas.
Também ser a pressa
Ciumes quando distância
Beijos e cumplicidade
O sonhado... 
Também a coragem de um mergulho
Sem certezas...
E que as incertezas nos invadam 
Nos tragam 
Nos levem ao finalmente
E que no final sejamos recomeços.

Marta Vaz



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Cúmplices do desejo

Marcas arranham o tempo
Farpas escapam do pensamento
Cores pálidas em peles nuas.
Mesclam com a solidão.
O amor sangra, escorre por entre os dedos
Ensejo, medo, tantas possibilidades veladas.
Reveladas só nas fotografias
E no toque do pincel a tela fria.
Mistura de sentimentos
em tons vibrantes.
Pulsa a vida,
Toca em uma canção.
Quando chega a noite
Sonhos são espalhados pelo chão
E um céu sorri daquela boca.
A lua brinda a ela com um beijo
Tudo é leve,
A falta é breve
A luz invade a sala em sorrisos fluidos.
Refletem toda falta pelo olhar
O calor inflama os corpos e o sofá.
Estão vivos novamente.
Matam o segredo
Arredam as dúvidas
Explicitam perversões
Agora,
Reféns e cúmplices do desejo.

Marta Vaz




sexta-feira, 22 de maio de 2015

A Fama


Todo mundo ama a fama
A fama de quem faz um mundo
O mundo que ergue um muro
O muro onde a maioria anda.
O mundo que gira
Atirando lama
Na cara de quem deita
mesmo sem fama
Na conversa de quem ama
só pra cama.
Desamam aquele que tem fama e o negam.
Desfazem da beleza
de quem apanhou da fama
De quem toca o mundo
De onde vem a grana.
E que mesmo do muro
Supera barreiras
E ama.

Marta Vaz



segunda-feira, 30 de março de 2015

Sem disfarces



Não acredito em quem traja o medo
Não quero esses seus segredos
E muito menos a frieza das lamentações.
Rasgue as máscaras da solidão,
Disfarces pontuais do ego.
O veneno escorre pelas pontas dos dedos
Entorna, manchando a poesia no papel.
Não gosto de mentiras
Nem das amarras desse sentimento arrastado.
A boca que é marcada pelo desejo de quem não viveu
Tem os sonhos sabotados pela covardia
Quem acha que sou?
Pouco importa se acreditaria.
Dúvidas são inerente a quem cria
Sigo sem certeza alguma,
O tempo é curto para ser perdido.
Quem deseja, revela
Quem sorri, encanta
Quem espera, nem sempre alcança
Mas quem cansa, desperta
E do nada faz algo acontecer.

Marta Vaz



terça-feira, 24 de março de 2015

A Volta

E o tempo urge, tudo tão depressa!
Você na sua pressa
Uma forma de adeus peculiar?
Estou no meu silêncio,
Cansei de esperar pelo sonho
Não durmo, nem sonho mais.
Vivo os dias, soltando amarras.
Agora chegou a minha hora
Estou voltando, retornando à casa.
Não, o filme não acabou!
Mas a roupa não me cabe mais,
É outra...
Minha vida, louca.
Meus desejos, nada fáceis de compreender.
Misto de solidão e companhia
Não verterei mais lágrima alguma.
A tempestade se foi
Agora aurora e calmaria
Brisa que acaricia, voz suave do amar.
Liberta e pronta pra dançar.
Essa minha obra não será a última.
Uma nova vida se descortina
Já sinto o seu perfume
Sua calma, paz serena.
Estaremos sempre juntas
O Amor é a razão
É Luz na escuridão
Sinta, Amor
E tudo estará aceso.

Marta Vaz


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ilusão real




O meu Amor reúne todos amores
Acalma dores
É tempestade seguida a calmaria
Atravessa a alma
Matando desejos torpes,
Sonhando maior.
Com ele aprendi a espera,
Sorrir da demora
Acalmar pressas.
Tornei-me pequena para ser parte
E infinita no sentir.
Espelho de desilusões
Refletindo esperança.
A fé no silêncio
A beleza do encanto
Um perfume raro envolvente.
Um grito numa canção
Estribilho que não cansa.
O Amor me trouxe,
me guia e só ele há de me levar.
Quando eu for
Levo comigo tudo que ele fez crescer.
Deixo impressões, pegadas, sementes
E a certeza de que mesmo a ilusão com o Amor é real.
Marta Vaz




domingo, 16 de novembro de 2014

Mimética

Traço sua tez em cada traço que forma suas palavras
Suas rugas quando escreve no silêncio de muitas horas
Cada canto da memória de um tempo que escoa lentamente.
Desejo, medo, suor e lágrimas.
Tudo misturado nas frases soltas, absortas pela fé.
Um mistério baila no ar, grita com a dor
Arranca olhares vulgares, atentos
Intentos e cheios de perdões.
Eles apenas querem, sem saber o que
Querem porque não podem parar
São fragmentos de um todo que agoniza
Esperanças do que ainda nem imaginam.
Alimento com o verbo essas bocas, falo por eles.
Sofrendo pela dor alheia, sinto o gosto das ansiedades.
Sigo por essa viela velada do sentir
Estou nua, mimética e liberta
Sorva o que digo, mas não faça-me de espelho.

Marta Vaz

Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...