domingo, 18 de maio de 2014

Regresso


E a vida chega
À vista cobra
E nada temo a pagar
O preço é alto
O mito é falso
Correntes se arrastam pelo ar
O olhar me toca
A voz provoca
Um grito mudo ao calar
As mãos nervosas
Os lábios quentes
Palavras mentem
E o Amor surdo,
escorre como fel da boca
Inunda a alma louca
Sufocando o tanto que ensaiei falar.


Marta Vaz


terça-feira, 15 de abril de 2014

Matiz do desejo


Não, não venha!
Tenho muitas perversões,
Não comportariam em ti.
Quero muito cada uma delas.
Sem censuras ou medos,
Ter quem eu quiser
Homem ou mulher;
Sem rótulos , roupas ou tabus.
Nem perder ou ganhar,
Apenas explorar minhas vontades ao êxtase.
Mesmo depois
Se ainda assim quiser chegar,
Entre sem bater, devagar.
Deixe o ego lá fora,
Dispa-se e aproveite.
Pois logo irá amanhecer
E nem os nomes serão os mesmos.
Pode me chamar do que quiser,
Pois o inesquecível vai estar na alma.

Marta Vaz

Foto: Piotr Rosinki

domingo, 13 de abril de 2014

Ser Mulher


Ser Mulher é ter a sensibilidade da força
A doçura mesmo nas crises de ciúmes
É chorar e sorrir sem motivos
Amante, amiga, estranha, novidade...
Inesquecível apenas.
É acreditar que o Amor existe
E que um dia ele pode arrebatá-la.
É ser alegre mesmo estando triste
Ser Mulher é ter encanto,
Sorrir com os olhos e pedir sem que precise falar.
É passar a língua nos lábios, discreta
E nisso conter toda sensualidade de um desejo.
Ser Mulher não é ser ingênua.
É ter a coragem da chance,
É viver as possibilidades
Parir as vontades e recomeçar sempre.
É viver com a certeza que se é fundamental.
Sou Mulher, sou livre, sou gesto, sou ação
Coração, nobreza, inspiração
Eu sou.

Marta Vaz


segunda-feira, 17 de março de 2014

A Musa


A Musa do poeta é a dor
Ora vestida de saudade
outras embriagada de amor.
Ele a penetra profundamente,
Mergulhado em prazeres
goza poesia...
A Musa nua sorri.
Ele sempre a corresponde;
Prefere morrer a cada dia
Ao esgotar tamanho êxtase.

Marta Vaz

domingo, 9 de março de 2014

Original


Sou filha do vento
Marcante como pensamento
Não me pegue, nem me siga.
Solitária ou companheira
Mesmo passageira,
Sou Amor.
Marta Vaz

sexta-feira, 7 de março de 2014

Gatilho da Alma


Novamente escuridão,
Suores frios, calafrios sem calma.
Fotos rasgadas nas prateleiras
Manchas do sangue que corre nas veias
Espalham-se nas paredes e chão.
Ela está fria,
Olhos brancos e parados
A música se repete na vitrola.
E o piano mudo é agora mais um
Num canto, sem o encanto que o acometia.
Pobres imortais artistas!
Que vestem Arte e estão tão nus em letras e canções!
São verdades ou ilusões?
Talvez suplicas imputadas aos dias
Gozo dos colóquios entre almas
Tão errantes quanto a minha ou a dela.
Não teríamos que ter fechado a janela?
Não!
O perfeito arroubo vem num assalto
Um salto, um passo em falso
E tudo pulsa novamente, tudo é quente
Olhos podem ser frios
Mas o olhar sempre será o gatilho ao êxtase.

Marta Vaz



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A fêmea


Mesmo em meio a tanta distância,
Nessa sua inconstância
Você me tem.
Me possui pelo olhar como ninguém
Algo sem explicação
Expõem minhas fraquezas
Desperta toda a natureza
Dessa fêmea voraz que sou
Vontades escorrem de mim
Exalando o perfume do desejo
Da mulher nada fácil
Desejada por tantos, em tantas.
Nessa vida de encantos
Em cada canto levo minha voz
Meu Amor se diluindo
Num mundo tão vil, tão parco.
Faltam-me as forças
A desesperança muitas vezes me cansa, alcança.
Mas sigo nua
Despindo-me em cada poesia
Salvando-me da aniquilação.

Marta Vaz





Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...