segunda-feira, 30 de março de 2015

Sem disfarces



Não acredito em quem traja o medo
Não quero esses seus segredos
E muito menos a frieza das lamentações.
Rasgue as máscaras da solidão,
Disfarces pontuais do ego.
O veneno escorre pelas pontas dos dedos
Entorna, manchando a poesia no papel.
Não gosto de mentiras
Nem das amarras desse sentimento arrastado.
A boca que é marcada pelo desejo de quem não viveu
Tem os sonhos sabotados pela covardia
Quem acha que sou?
Pouco importa se acreditaria.
Dúvidas são inerente a quem cria
Sigo sem certeza alguma,
O tempo é curto para ser perdido.
Quem deseja, revela
Quem sorri, encanta
Quem espera, nem sempre alcança
Mas quem cansa, desperta
E do nada faz algo acontecer.

Marta Vaz



terça-feira, 24 de março de 2015

A Volta

E o tempo urge, tudo tão depressa!
Você na sua pressa
Uma forma de adeus peculiar?
Estou no meu silêncio,
Cansei de esperar pelo sonho
Não durmo, nem sonho mais.
Vivo os dias, soltando amarras.
Agora chegou a minha hora
Estou voltando, retornando à casa.
Não, o filme não acabou!
Mas a roupa não me cabe mais,
É outra...
Minha vida, louca.
Meus desejos, nada fáceis de compreender.
Misto de solidão e companhia
Não verterei mais lágrima alguma.
A tempestade se foi
Agora aurora e calmaria
Brisa que acaricia, voz suave do amar.
Liberta e pronta pra dançar.
Essa minha obra não será a última.
Uma nova vida se descortina
Já sinto o seu perfume
Sua calma, paz serena.
Estaremos sempre juntas
O Amor é a razão
É Luz na escuridão
Sinta, Amor
E tudo estará aceso.

Marta Vaz


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ilusão real




O meu Amor reúne todos amores
Acalma dores
É tempestade seguida a calmaria
Atravessa a alma
Matando desejos torpes,
Sonhando maior.
Com ele aprendi a espera,
Sorrir da demora
Acalmar pressas.
Tornei-me pequena para ser parte
E infinita no sentir.
Espelho de desilusões
Refletindo esperança.
A fé no silêncio
A beleza do encanto
Um perfume raro envolvente.
Um grito numa canção
Estribilho que não cansa.
O Amor me trouxe,
me guia e só ele há de me levar.
Quando eu for
Levo comigo tudo que ele fez crescer.
Deixo impressões, pegadas, sementes
E a certeza de que mesmo a ilusão com o Amor é real.
Marta Vaz




domingo, 16 de novembro de 2014

Mimética

Traço sua tez em cada traço que forma suas palavras
Suas rugas quando escreve no silêncio de muitas horas
Cada canto da memória de um tempo que escoa lentamente.
Desejo, medo, suor e lágrimas.
Tudo misturado nas frases soltas, absortas pela fé.
Um mistério baila no ar, grita com a dor
Arranca olhares vulgares, atentos
Intentos e cheios de perdões.
Eles apenas querem, sem saber o que
Querem porque não podem parar
São fragmentos de um todo que agoniza
Esperanças do que ainda nem imaginam.
Alimento com o verbo essas bocas, falo por eles.
Sofrendo pela dor alheia, sinto o gosto das ansiedades.
Sigo por essa viela velada do sentir
Estou nua, mimética e liberta
Sorva o que digo, mas não faça-me de espelho.

Marta Vaz

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Madrugada




Sinto, Amor!
Sinto dor,
Deixo doer...
Corroer essa covarde agonia.
Dúvida parida,
Punhal de lâmina afiada
Cravado na alma nua;
Tão tua e minha talvez.
Risada surda arrepia,
Inebria tamanha estupidez.
A tez rubra, quente
Trasbordando, fervendo o desejo.
Passa madrugada
Aumenta a sede
Afogada em mágoas
Ensejo o último suspiro
Em sua boca.

Marta Vaz

sábado, 7 de junho de 2014

Quase saudade


O encanto pelo canto faz cantar;
Nas dores ou alegrias
Nas noites longas ou curtos dias
Tudo lembra alguém.
No vai e vem das horas
Nas pressas e demoras
Tem aquele cheiro, meu bem.
No tapete vermelho, de qual lugar?
Onde nem mesmo chegou a amar.
Nos lábios sedentos e macios
Tudo faz um beijo desejar.
As mãos que envolveriam a nuca
Puxariam os cabelos com vontade
Tudo num piscar de olhos
Antes nas asas de um sonho
Hoje quase saudade.
Marta Vaz

domingo, 18 de maio de 2014

Regresso


E a vida chega
À vista cobra
E nada temo a pagar
O preço é alto
O mito é falso
Correntes se arrastam pelo ar
O olhar me toca
A voz provoca
Um grito mudo ao calar
As mãos nervosas
Os lábios quentes
Palavras mentem
E o Amor surdo,
escorre como fel da boca
Inunda a alma louca
Sufocando o tanto que ensaiei falar.


Marta Vaz


Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...