domingo, 22 de agosto de 2021

Quase canção

 


Deixei de ler suas cartas

Mas nada apaguei da memória

Nem aquele seu toque atrevido, 

Apertando minha cintura pelo vestido.

Eles nada sabem, 

Que sorte a nossa!

Escapando, escorrem os sentimentos

Quanto tempo perdido!

O deles ou o nosso?

Os silêncios falam tanto!

Somos pura poesia

 Vibrando em notas musicais

 em proposital suspensão

Para durar além da normalidade.

Esse desejo pulsa, grita 

Posso sentir o ritmo acelerar

Como os abraços que nunca vão nos roubar.

Sinto tudo, sinto muito, 

por nunca deixar de sentir.

Nada foi embora e nunca irá

Coisas muito bem guardadas

Como na quase canção

que não chegamos a cantar

Pouco importa...

Nunca foi pouco, o tanto que está em nós.

Marta Vaz








quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Que Seja



Quero reescrever o destino, 

Redescobrir  essências

Ir fundo, embriagando-me desse âmago enigmático

Viver as sombras, provar dos medos

Fazer o que ninguém conseguiu

Completar-me em sua incompletude

Ser uma em duas,

Numa esquina da cidade nua

Falar bobagens, as mesmas que excitam os casais.

E quando for algo mais sério, 

Ser apenas verdade.

Não vou mais pedir chance

Vou arranca-la sem piedade, 

Despi-la

Da mesma forma que seus olhos fazem com libido.

Sem idealizar, apenas provar

Ser o mais velado desejo

Explodir nesse encontro

Ser qualquer sentimento

Que seja,  

Tornar-me sua, nesse momento 

Sem deixar escapar vontades

E se tiver que ser mais

Que seja.

Marta Vaz






domingo, 8 de agosto de 2021

Passional







Diz que não valho nada

Não, não em palavras

Pela negação que entrega

Pelo tempo perdido, empurrando ao abismo

Vai, xinga alto...

Grita: exagerada, passional...

Arranca minhas roupas com o olhar

Esse olhar navalha, que dilacera até a alma

Derruba qualquer barreira.

Como num salto, rendo-me ao encanto

Ao som das letras que saltam e se encaixam

Como corpos ardentes, elas fazem Amor

Fazem poesia da dor

E aos olhos do mundo, invisíveis

Resistem, pulsam e ardem de prazer

Derramando sentimento em cada poesia

Nuas, ou bem vestidas, 

Andam desarmadas na mesma esperança.

Marta Vaz



domingo, 31 de janeiro de 2021

Desafio

 


Poderia derramar no papel a mágoa que invade

Poderia dizer coisas sem nexo,  falar de sexo 

ou de toda sacanagem que me imputas.

Mas escolho calar, sentir além das vãs aparências

Mergulhar no vazio que se agiganta

Chegar ao fundo da alma

e lançar um desafio.

Fitar o reflexo nesse grande espelho

O que resiste nesse interior mais velado 

Apenas ir, sem horário marcado pra voltar, 

Sem culpas pra carregar

Fazer de mim tudo aquilo que me falta

Ser essa falta e a fiel solidão

Poesia, melodia, delírios e Amor

Com toda intensidade que a dor proporciona

Morrer passo a passo sorvendo esse sentimento

Renascer mais integra, verdadeira e minha.


Marta Vaz





sábado, 18 de abril de 2020

Anima


Gosto de me ler,
Escrever sem muitas explicações.
Inspira-me as canções, as emoções.
Gosto de ouvir sentimentos
Quase posso tocá-los
Imagina-los em minha pele.
Despir a persona dos desvarios desejos
Viver intensamente o tão sonhado.
Alimentar a anima com tudo que é leve, bom.
Findar as angustias com um beijo.
E ser o que tanto desejas.

Marta Vaz




Fotografia de Michael David Adams.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Inspiração

Tantos versos,
Tanto Amor derramado no papel!
E a solidão ainda pulsa,
retalhando esse sentimento
Fragmentando o pensamento
Retrocedendo o id à memórias
que insistem em não calar nossa história.
Uma música suave toca o desejo
Inspiração para o que parecia esquecido
Mas a vida pulsa no corpo
Esquenta a alma fazendo um verão
Suando e transbordando a lealdade.
Tudo parecia tão perdido!
Tão distante!
Mas o encanto não morre nunca!
No agora a fala é breve mas contínua.
Os corpos esculpidos pelo tempo
confirmam as marcas desse viver.
A espera sempre vale a pena
Quando agregamos nesse crescimento.
Aquele intento ou lamento
hoje é passado.
O que insiste é o que realmente importa
Dentro de mim ou de você
o que pulsa vai e deve acontecer.

Marta Vaz







quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Confluência


Se entreolhar e sentir a distância se agigantar
Perceber um abismo em nossos pés
Todo sonho escorrendo sem parar
como a areia de uma cruel ampulheta
Indo pra não mais voltar.
Tanta dor em farpas trocadas!
Tapas que o tempo não para de dar
Ofertamos a outra face, passivamente?!
A natureza não é pacífica
Não chegamos aqui apenas para morrer
Preciso viver, precisamos crer!
Nego que viemos para o sofrer.
Dos meus poros flui paixão
Desejos que assaltam o peito
Já foi escolhido esse viver,
Um acordo mútuo onde não cabem trapaças.
A pele sente o vento da indiferença
Mas o clima é quente, ferve
Uma ebulição de tudo que pode dar certo.
Rasguei o passado assim como a alma de tantas vindas
Mil faces de mulher vivida que sabe ser homem também.
Estamos além do que dizem ser o certo,
Somos acúmulo de erros, dos mais bem vividos.
Sem amarras, sem algemas
Que a cura flua como pura fantasia para voar
Flutuar além dos problemas
Para que sintamos mais vida
Numa conjunção que seja apenas amar.

Marta Vaz



Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...