sábado, 7 de agosto de 2010

Reflexos em Reversos


Cara a cara com o que se vê,
Nem sempre com que se é.
Por vezes com que se tem.
Aquilo que se reflete,
Será o mesmo que se repete?
Metáforas subatômicas;
Nuances crômicas,
Em natureza diatônica.
Tudo que mais se odeia,
Muito mais familiar o é.
Tudo que mais se deseja,
É pela atração ao imaginado.
Ter o Ser que ainda não se conhece,
Ser o Ter que aborrece.
Aniquila-se o Ser?!
Mas o Ter, não deveria o ser esvaziado?!
O Ser é refractário em revezes de criação;
Um bem ou mal me quer, sem explicação.
Solto na corda bamba da solidão;
Em que o despencar é sorrir.
O partir é se chegar,
A um ponto, parte de alguém ou lugar.
Assim compreendem-se mais,
Cada impressão do outro em si.
Marta Vaz

sábado, 24 de julho de 2010

Espinhos


Não toque minha pele,
Não troque meu nome.
E não me chame,
E não me ame.
Eu não preciso de restos,
Nem migalhas de alguém.
Nem mais sobrenome,
Para dizer quem eu sou.
Não sou sua!
Nunca pertenci a ninguém.
Vivi breves momentos,
Como num passeio de trem.
Sinto e reconheço,
Que minha vida é por um triz.
Paredes não me prendem,
Nem o passado que fiz.
Amei e não nego!
Finja que não viu,
Mas não seja totalmente cego!
Sem perdão e insegurança;
Não devemos nada,
Nem carinhos e nem lembranças.
Tudo que tive,
Entreguei a você.
Agora é tarde!
Pare! De se arrepender.
No meu jardim não nasceram mais flores,
Só espinhos por grandes dissabores,
E se canto mais uma breve canção;
Não se iluda,
Num segundo tudo muda...
Basta!
Engula meu não.

Marta Vaz

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A câmera que filma os dias: AS CANÇÕES DE JOSÉ 2: ODISSÉIA

A câmera que filma os dias: AS CANÇÕES DE JOSÉ 2: ODISSÉIA: "Muita gente me pergunta sobre a letra de Odisséia. Ela se distingue das demais canções do disco pelo vocabulário e quantid..."

A forma poética encanta-me,
Mesmo sentindo a agonia em certos momentos.
O desejo de percorre-la é maior do que eu.
Não há como não se apossar da sua "odisséia cantada"!
Aquilo que parece adormecido,
Se esquiva, luta, mas tem fome e quer mais.
Sinto-me gestando um ser mitológico;
A cada palavra sorvida com a melodia.
O inconsciente se aflora,
E agora...
Ignora e rí das realidades tão consistentes!
Admito que já esteve aqui antes de ser.
Concordo com Jung, sou fã incondicional dele.
E hoje de você também.
Não é óbvio o que cria...
Faz-me pensar quantos se esforçam ou não, para sentir a ideia.
Não é fácil estar nessa Odisséia!
Mas é fantástico o que ela pode criar!
Lembrar dos nossos ancestrais,
De uma forma tão biológica!
Gosto disso, elucida tantas coisas em mim.
Mas interessante do que a história é o como a transforma,
Criando uma liberdade tão peculiar,
Para cada um percorrer a própria "Odisséia".
Sucesso, sempre!
Marta Vaz

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Compulsão


Procuro desesperadamente!
Escuto cada palavra de uma música.
Busco a poesia na melodia,
Tento encontrar toda melancolia.
A semente plantada em mim,
Deu frutos doces,
Em flores semelhantes ao jasmim.
Ainda olho a lua,
Percorro as ruas.
A cada sinal olho ao lado,
Um dia pode ser você?!
Caio, sinto o chão rente ao rosto;
Sinto o cheiro dos seus passos,
Rastros gravados em mim.
Ergo-me mais uma vez,
Desistir não faz parte do que escolhi.
Faço pose, sinto as nuvens;
A tempestade ainda não passou.
Sinto os primeiros raios,
O Sol chega com o som!
E nessa explosão de cores,
Exponho minha compulsão.
Fragilidade,talvez?!
Fraqueza, não!
Como o cristal do cristalino de seus olhos,
Encontro a reflexão de todo amor que sou.
Marta Vaz

Seu


Sonhei com seu rosto.
Abracei sua silhueta,
Cheguei a sentir o calor dos seus braços,
Nesse longo e terno abraço!
O toque suave das suas mãos por baixo do meu vestido.
E as palavras sussurradas no ouvido;
O cheiro do perfume na nuca, delicioso!
A lembrança do olhar através daquela janela.
O torno e o retorno,
Em cada vez que cruzávamos um olhar.
Tanto desejo!
Eu fingia não ser comigo;
Preferia ser apenas o amigo.
Mas que desejo é esse?!
Desconfortável por ser maior que eu.
Insensato por natureza;
Breve por tão intenso!
Inesquecível por ser
Exclusivamente seu!
Marta Vaz

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Zé


Hoje encontrei um Zé...
De ninguém nada tem.
Esse Zé tem história;
Memórias e boa comunicação.
Encontrei-o por acaso,
Numa dessas estações.
Em que há vida e ela não para;
Em meio à tantas informações.
Estava lá ele, o Zé...
Tive vontade de segurar-lhe a mão,
Num breve cumprimento.
Dizer-lhe algo semelhante a um olá?!
Não, não seria apenas mais um olá...
Seria não, foi!
Não precisei dizer-lhe nada!
Pois ele é a voz...
Que em muitos fala e a muitos cala.
Nas vielas e becos de uma rede;
Na banda larga que o tempo fez-me passar.
Valeu Zé!
Marta Vaz

Rodopio


As vezes sinto-me tola,
Quantas vezes nua!
Poucas vezes rasa,
Outras vezes muda.
As palavras embriagam,
Fazem a cabeça rodopiar.
Um giro sem nexo, sem retrocesso;
Ponho-me a alcançar.
Tudo que por aí passar,
Seja doce ou amargo em fel.
Nada sem importância.
Não existe espaço à ignorância,
Quando se escolhe um caminho
Seja este linear ou em desalinho...
Mesmo que tudo o negue,
O teor de cada palavra eterniza-lo-a.
Marta Vaz

Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...