domingo, 14 de novembro de 2010

Hoje


Coração apertado em nó quase cego;
Não desejo o descanso.
Um segundo pode ser arrastado,
ou traidor para quem fica.
Nessa esquina não existem faróis.
O vai e vem é intenso,
como todo sentimento que transborda.
Se estou em silêncio é para ouvir um coração
Sei que ele pode parar de bater
Mas não importa o tempo;
Quero ouvi-lo até seu último toque...
E que isso toque a todos,
Que nisso esteja o belo!
Derramarei a minha doce saudade,
Inspirarei a tristeza
E exalarei doçura.
A emoção não deve pesar além dos pesares.
Na medida exata será meu adeus.
E não levaremos as flores...
Mas veremos germinar sementes.
Deixemos que se façam frutos.
E que se provem deles,
Para que a vida continue.
E que o amor seja a única certeza,
Que tudo sempre valerá a pena.
Mesmo diante do último suspiro.
O amor, você e eu hoje somos eternos!
Marta Vaz

domingo, 12 de setembro de 2010

Orquídeas


Hoje recebi orquídeas;

Com elas várias reflexões.

Dentre muitas uma destacou-se,

E disparou meu desabafo:

" Nunca retire a esperança de alguém,

essa pode ser a única coisa que essa pessoa tenha."

Escolhi algumas palavras para descrever algo muito meu:

Deus muitas vezes chama alguém muito querido;

Nesse exato momento parece retirar-nos toda esperança.

Mas ele sempre nos deixa algo novo;

Até mesmo pela transformação daquela matéria que era nosso amor.

As dores das perdas nos fortalecem,

Mas se principalmente a elas não ficarmos atrelados.

O inevitável da morte é a saudade!

Mas quantas saudades vivas existem?!

É isso que desejo imortalizar aqui;

Quando com a perda, vestiu-se de dor!

Retirou-se para selar seu inconformismo.

Muitos sofreram a perda, não só a pela morte.

Mas a tudo que por ela se fez deserto.

E naquele momento,

Você era a minha única esperança;

Atado a dor de uma perda que não voltaria mais.

Não tenho que lhe perdoar!

Arrancada como a orquídea,

Exalo a beleza e continuo a exaltar o amor.

Pois nem tudo é efêmero na vida.


Marta Vaz

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Hoje


Hoje escolho a arte,

Qualquer forma de expressá-la.

Com ela amplio sentimentos,

Por ela exponho momentos.

Sem ela, não sei o que seria?!

Sendo noite ou dia,

Nada mais importa.

Quando com um beijo,

Selo o encontro do eu com o sou.

Sigo nesse caminho;

Assim nunca estarei sozinho.

Atado com a arte,

Sinto o meu coração.

Marta Vaz



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A menina que vestia rosa



Ela era uma menina que vestia rosa.


Tocava em nuvens com os pés;


Doava sonhos!


Alguns chamavam-na de anjo;


Mas era mais uma menina que vestia seu sonho.


Ela não era "pequinês",


E isso a fez crescer.


Tornou-se adolescente,


Descobriu-se mulher.


E continuou a ter sonhos;


Só que não os doava.


Não lembrava como teria que fazer?!


Seus pés tocavam chão.


Muitas vezes andava em ovos, não mais em algodão.


Do rosa que vestia transformou-se em flor.


Ela conheceu o amor;


E as dores também vieram.


O sorriso deu lugar ao silêncio;


Hoje ela chora!


Pinta-se para disfarçar o pranto;


E o quanto o esquecimento a fez assim.


Uns dizem que se trata de um personagem dela;


Outros nem a reconhecem, ignoram-na.


Encontrei com ela.


Sabia que era ela!


Quando cruzamos o olhar,


Mesmo com tanto a lembrar!


Percebi que o aço do espelho mesmo frio,


Não muda, mesmo calado.


Ela em pedaços,


Refletida pela luz, era aquela!


Que um dia, um sonho fizera-me ter.


Marta Vaz




domingo, 22 de agosto de 2010

O impossível, ou não?


Existem coisas que parecem impossíveis de acontecer.

Mas, por que?

Se um certo alguém cruza seu caminho e lhe oferece a mão;

Por que não?

Se esse alguém ao lhe cumprimentar sorri,

Por que isso não pode existir?

Um estranho totalmente alheio aos seus anseios;

Chega sem avisar e lhe oferece algo que sempre sonhou!

Isso não pode ser amor?!

Mas ele ou ela não quer ter contato sexual?!

Nem um beijo!

Será isso normal?!

Aí você pensa:

O que essa pessoa viu em mim? Não sou famosa!

Se fecha num canto ou arma mil maneiras à provar suas desconfianças;

Você não é mais uma criança!

Ninguém poderia gostar de você assim, tão simplesmente!

Mas você todos os dias pede a Deus por amor?!

Conversa com ele que sente frio e dor.

Que o mundo já não se entende mais?!

Você deseja e pede a paz?!

Aquele ser estranho a você, quanto lhe cobrou?

O que o sorriso dele custou?

E o calor daquelas mãos, era pura imaginação?

Quantos desejam ganhar e ter sorte?!

Muitos querem a companhia de um grande amor.

Por que é impossível ser amado?

E caso alguém só lhe ofereça liberdade e amizade?

E se a pessoa tão estranha, cultive paz?

Nada mais!

Em um simples olhar, comece a lhe afagar,

Sem nada dizer.

Tudo que parecia impossível, começa a acontecer!

Mas aos olhos tudo que parece ser,

O é da forma impossível.

Afinal qual humano seria tão tolo para confiar?

Essas coisas são tão humanamente improváveis!

Ou não?

Marta Vaz

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Hoje é o primeiro dia da minha nova vida!


Foi difícil sair do aconchego das situações conhecidas,

Do escuro e diversos barulhos.

Gritos e as vezes sussurros;

Calor e as vezes incomodo pela dor...

Mas resolvi sair.

Jogar fora tudo aquilo que ainda não esqueci.

Mas agora esquecerei!

Estou nua, sem bens e sem lar;

Ainda nem sei do que vou me alimentar.

Mas sinto sede e fome de amor!

Felicidade por sentir o ar que penetra no meu corpo,

Estou viva novamente!

Como uma nova semente, estou a brotar.

Nem conheço o que é casca;

Minha sensação de liberdade é total!

Aos que ainda me conhecerão,

Só peço paciência.

Eu vou crescer, mas ainda sou diminuta.

Vou lhe entender, mas tenho muito à estudar!

Não tenho pressa, pois ainda desconheço esse lugar?!

Experimentando essa nova vida,

Tenho as heranças de antepassados.

Estou passado a limpo meus deveres de casa;

Estou ampliada e quero ser feliz!

Sem laços ou embaraços,

Cortaram meu cordão umbilical.

Não estou construindo minha sorte...

E sei que a tenho,

Pois a vida se faz no agora em mim.

Marta Vaz

sábado, 7 de agosto de 2010

Reflexos em Reversos


Cara a cara com o que se vê,
Nem sempre com que se é.
Por vezes com que se tem.
Aquilo que se reflete,
Será o mesmo que se repete?
Metáforas subatômicas;
Nuances crômicas,
Em natureza diatônica.
Tudo que mais se odeia,
Muito mais familiar o é.
Tudo que mais se deseja,
É pela atração ao imaginado.
Ter o Ser que ainda não se conhece,
Ser o Ter que aborrece.
Aniquila-se o Ser?!
Mas o Ter, não deveria o ser esvaziado?!
O Ser é refractário em revezes de criação;
Um bem ou mal me quer, sem explicação.
Solto na corda bamba da solidão;
Em que o despencar é sorrir.
O partir é se chegar,
A um ponto, parte de alguém ou lugar.
Assim compreendem-se mais,
Cada impressão do outro em si.
Marta Vaz

Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...