segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Um brinde à insônia do que atordoa


 É dor o que se aprofunda na carne,
As palavras como chibatadas repletas de ira, ainda são proferidas sem piedade.
E quanto tempo passou?! 
Mas esfolam, esfolam... 
Sangrando nossas feridas.
Quanto sangue pulsa forte nas veias, escorrendo por essa terra árida de quase tudo.
A gente teima em viver, a gente teima em chegar a essa fonte inesgotável que tentam fazer acreditarmos não existir, não sermos dignas desse tanto.
Sempre foi assim, minhas irmãs morreram torturadas nas fogueiras da inquisição, por ousarem ser... Elas
Tudo em nome de um Deus que a gente não conhecia e ainda não conhece. 
As culpas até hoje são lançadas em nós, como em latrinas cagadas pelos restos podres de que eles são formados.
Até hoje tentam nos sangrar, rasgando nossa carne, abafando nossos gritos, minando nossas forças. Diminuindo quem somos, o que carregamos, o que sentimos e o que já a muito deixamos de sonhar, por pouco ou nada descansarmos.
Eles tentam a todo custo nos chicotear novamente, com palavras, com atitudes, com o desprezo ou por puro prazer,
Buscam acabar com nossos traços, nossa base, ancestralidade.
Do nosso ventre parimos mudanças,
 elas nunca vão deixar de vir pelo gozo, pelo prazer que tentam nos tirar, 
"Doutores" de merda que não sabem nos fazer gozar, nunca souberam!
A cada uma de nós que tentam silenciar enterrando, brota uma nova semente, pulsando latente tudo novamente.
Somos eternas!
Sou Sal, choro sim, choro um mar de esperanças, de vida, de mágoas também.
Não tentem calar esse choro, ele vai muito além do que acham que podem controlar.
Assim volto sempre as origens, onde somos apenas o desejo da Deusa que conheço
E brindando a essa força, desatando cada corrente ,
Busco, busco, busco sempre...
E encontrei bastante das que aqui estiveram,
Sou um pouco de cada uma delas
E o muito que ainda nos falta viver.
Marta Vaz




quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Exposição



Temo a exposição, 

Mil olhos despindo a alma

Um preço tão alto, tão injusto!

Sorrisos irônicos, vazios,

Vasculhando expressões

 Parafraseando com verbos que sequer ousamos dizer.

Evitei tanto os toques, desejando tanto o seu!

Perdi tempo, chances, beijos, momentos, sorrisos e o colorido da vida

Aprendi a ser só, vestir a solidão como um escudo

Esconder sentimentos, sem deixar de senti-los realmente

 Amar me inspira, Amor! 

Fogo que arde sem queimar, fazendo delirar.

Tantas bocas não falam nossa língua;

Tantos olham sem enxergar.

Se encantam com o canto, com a arte

Apenas desejam por desejar.

Aprendi com a exposição a gritar

Expressar ao que sufoca sem matar;

 A amar sem medo e a viver toda falta que sobra em mim.

Marta Vaz

 






 

 


 






domingo, 22 de agosto de 2021

Quase canção

 


Deixei de ler suas cartas

Mas nada apaguei da memória

Nem aquele seu toque atrevido, 

Apertando minha cintura pelo vestido.

Eles nada sabem, 

Que sorte a nossa!

Escapando, escorrem os sentimentos

Quanto tempo perdido!

O deles ou o nosso?

Os silêncios falam tanto!

Somos pura poesia

 Vibrando em notas musicais

 em proposital suspensão

Para durar além da normalidade.

Esse desejo pulsa, grita 

Posso sentir o ritmo acelerar

Como os abraços que nunca vão nos roubar.

Sinto tudo, sinto muito, 

por nunca deixar de sentir.

Nada foi embora e nunca irá

Coisas muito bem guardadas

Como na quase canção

que não chegamos a cantar

Pouco importa...

Nunca foi pouco, o tanto que está em nós.

Marta Vaz








quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Que Seja



Quero reescrever o destino, 

Redescobrir  essências

Ir fundo, embriagando-me desse âmago enigmático

Viver as sombras, provar dos medos

Fazer o que ninguém conseguiu

Completar-me em sua incompletude

Ser uma em duas,

Numa esquina da cidade nua

Falar bobagens, as mesmas que excitam os casais.

E quando for algo mais sério, 

Ser apenas verdade.

Não vou mais pedir chance

Vou arranca-la sem piedade, 

Despi-la

Da mesma forma que seus olhos fazem com libido.

Sem idealizar, apenas provar

Ser o mais velado desejo

Explodir nesse encontro

Ser qualquer sentimento

Que seja,  

Tornar-me sua, nesse momento 

Sem deixar escapar vontades

E se tiver que ser mais

Que seja.

Marta Vaz






domingo, 8 de agosto de 2021

Passional







Diz que não valho nada

Não, não em palavras

Pela negação que entrega

Pelo tempo perdido, empurrando ao abismo

Vai, xinga alto...

Grita: exagerada, passional...

Arranca minhas roupas com o olhar

Esse olhar navalha, que dilacera até a alma

Derruba qualquer barreira.

Como num salto, rendo-me ao encanto

Ao som das letras que saltam e se encaixam

Como corpos ardentes, elas fazem Amor

Fazem poesia da dor

E aos olhos do mundo, invisíveis

Resistem, pulsam e ardem de prazer

Derramando sentimento em cada poesia

Nuas, ou bem vestidas, 

Andam desarmadas na mesma esperança.

Marta Vaz



domingo, 31 de janeiro de 2021

Desafio

 


Poderia derramar no papel a mágoa que invade

Poderia dizer coisas sem nexo,  falar de sexo 

ou de toda sacanagem que me imputas.

Mas escolho calar, sentir além das vãs aparências

Mergulhar no vazio que se agiganta

Chegar ao fundo da alma

e lançar um desafio.

Fitar o reflexo nesse grande espelho

O que resiste nesse interior mais velado 

Apenas ir, sem horário marcado pra voltar, 

Sem culpas pra carregar

Fazer de mim tudo aquilo que me falta

Ser essa falta e a fiel solidão

Poesia, melodia, delírios e Amor

Com toda intensidade que a dor proporciona

Morrer passo a passo sorvendo esse sentimento

Renascer mais integra, verdadeira e minha.


Marta Vaz





sábado, 18 de abril de 2020

Anima


Gosto de me ler,
Escrever sem muitas explicações.
Inspira-me as canções, as emoções.
Gosto de ouvir sentimentos
Quase posso tocá-los
Imagina-los em minha pele.
Despir a persona dos desvarios desejos
Viver intensamente o tão sonhado.
Alimentar a anima com tudo que é leve, bom.
Findar as angustias com um beijo.
E ser o que tanto desejas.

Marta Vaz




Fotografia de Michael David Adams.

Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...