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Pensamentos, reflexões e versos que expressam o que é mais velado, desnivelado em mim.
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Temo a exposição,
Mil olhos despindo a alma
Um preço tão alto, tão injusto!
Sorrisos irônicos, vazios,
Vasculhando expressões
Parafraseando com verbos que sequer ousamos dizer.
Perdi tempo, chances, beijos, momentos, sorrisos e o colorido da vida
Aprendi a ser só, vestir a solidão como um escudo
Esconder sentimentos, sem deixar de senti-los realmente
Amar me inspira, Amor!
Fogo que arde sem queimar, fazendo delirar.
Tantas bocas não falam nossa língua;
Tantos olham sem enxergar.
Se encantam com o canto, com a arte
Apenas desejam por desejar.
Aprendi com a exposição a gritar
Expressar ao que sufoca sem matar;
A amar sem medo e a viver toda falta que sobra em mim.
Marta Vaz
Deixei de ler suas cartas
Mas nada apaguei da memória
Nem aquele seu toque atrevido,
Apertando minha cintura pelo vestido.
Eles nada sabem,
Que sorte a nossa!
Escapando, escorrem os sentimentos
Quanto tempo perdido!
O deles ou o nosso?
Os silêncios falam tanto!
Somos pura poesia
Vibrando em notas musicais
em proposital suspensão
Para durar além da normalidade.
Esse desejo pulsa, grita
Posso sentir o ritmo acelerar
Como os abraços que nunca vão nos roubar.
Sinto tudo, sinto muito,
por nunca deixar de sentir.
Nada foi embora e nunca irá
Coisas muito bem guardadas
Como na quase canção
que não chegamos a cantar
Pouco importa...
Nunca foi pouco, o tanto que está em nós.
Marta Vaz
Quero reescrever o destino,
Redescobrir essências
Ir fundo, embriagando-me desse âmago enigmático
Viver as sombras, provar dos medos
Fazer o que ninguém conseguiu
Completar-me em sua incompletude
Ser uma em duas,
Numa esquina da cidade nua
Falar bobagens, as mesmas que excitam os casais.
E quando for algo mais sério,
Ser apenas verdade.
Não vou mais pedir chance
Vou arranca-la sem piedade,
Despi-la
Da mesma forma que seus olhos fazem com libido.
Sem idealizar, apenas provar
Ser o mais velado desejo
Explodir nesse encontro
Ser qualquer sentimento
Que seja,
Tornar-me sua, nesse momento
Sem deixar escapar vontades
E se tiver que ser mais
Que seja.
Marta Vaz
Não, não em palavras
Pela negação que entrega
Pelo tempo perdido, empurrando ao abismo
Vai, xinga alto...
Grita: exagerada, passional...
Arranca minhas roupas com o olhar
Esse olhar navalha, que dilacera até a alma
Derruba qualquer barreira.
Como num salto, rendo-me ao encanto
Ao som das letras que saltam e se encaixam
Como corpos ardentes, elas fazem Amor
Fazem poesia da dor
E aos olhos do mundo, invisíveis
Resistem, pulsam e ardem de prazer
Derramando sentimento em cada poesia
Nuas, ou bem vestidas,
Andam desarmadas na mesma esperança.
Marta Vaz
Poderia dizer coisas sem nexo, falar de sexo
ou de toda sacanagem que me imputas.
Mas escolho calar, sentir além das vãs aparências
Mergulhar no vazio que se agiganta
Chegar ao fundo da alma
e lançar um desafio.
Fitar o reflexo nesse grande espelho
O que resiste nesse interior mais velado
Apenas ir, sem horário marcado pra voltar,
Sem culpas pra carregar
Fazer de mim tudo aquilo que me falta
Ser essa falta e a fiel solidão
Poesia, melodia, delírios e Amor
Com toda intensidade que a dor proporciona
Morrer passo a passo sorvendo esse sentimento
Renascer mais integra, verdadeira e minha.
Marta Vaz
Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...