Nua ao espelho
Vejo os olhos que um dia fitaram os seus
As mãos que ao microfone disseram tanto
O tanto que você não ouviu
Aquele mesmo que usou pra pisar nas páginas da minha vida
Esse ego que me sufoca a anos
Essa atitude rasa que em nada combinava com o amor que dizia sentir.
Na boca ainda resta o batom que de relance arrancou o seu
Todas as marcas ainda estão aqui
Tatuagens que nem o tempo conseguiu apagar
Sigo com aquele sorriso bobo
Agora sem tantos disfarces
Foram tantos que me perdi por entre os personagens que criei
Hoje tenho uma Analista, e não consigo mais sorrir depois das sessões, dói reaprender.
Aprender quase tudo que deixei em dias que morreram a cada pôr do Sol que vi.
E não foram poucos, os dias, as noites, as perdas, as tantas coisas que hoje entendo
Minhas sabotagens, essa minha mania de fugir do Amor, de amar.
O Amor existe em mim, mas tão divergente dos demais, dos normais.
É, continuo na contramão com minha poesia.
Talvez um dia mergulhe de vez, aprenda a não fugir e a matar quem eu era,
Dando aquele tal último suspiro em sua boca.
Marta Vaz
Pensamentos, reflexões e versos que expressam o que é mais velado, desnivelado em mim.
quarta-feira, 9 de outubro de 2024
Espelho meu
sábado, 4 de fevereiro de 2023
Tesão
sábado, 28 de maio de 2022
Imortal
O tempo escorre pela pele,
Como suor fruto de emoções clandestinas.
Tento achar explicações entre lembranças e canções.
Permeio dores imperceptíveis,
Quase chego a tocar sua alma.
Algo que só eu conheço,
Tão intima e própria em mim.
Por vezes chego a gritar ao mundo
Ai lembro quão longe estou.
Quão profundo sinto e sou.
Lembro que o melhor está no silêncio
Nesse sentir tão intenso!
O meu olhar fixo provando cada parte do que mostra
Mas quero o que esconde,
O que não será devorado pelo tempo
Quero o que acelera tudo em mim.
Nem tudo é efêmero, fugaz.
Essa viagem vai passar um dia, eu sei.
Mas a fonte dessa embriaguez, nunca.
Bebo dos saberes ocultos
Sou tragada, lambida pelas labaredas dessa fogueira incauta
Sendo a feiticeira, a condenada pelos pecados
Mas imortal por esse sentimento que nos consome.
Marta Vaz
sábado, 30 de abril de 2022
Silêncio
É melhor silenciar
Qualquer verdade lúcida que fale
Vão dizer que são mentiras, loucuras delirantes.
É melhor silenciar
O silêncio não trai, nele escuto as vozes do ontem, de hoje e do amanhã.
Mesmo que doa, não vou adormecer novamente
Respostas não precisam estar só no inconsciente.
Meu delírio é viciante, estou nua na noite escura
Será mais um delírio, dos tantos que tomam esse mar de emoções tão profundas?!
Sentir nem sempre é bom e nem ruim também, apenas imprescindível, mais que necessário.
Lúcida, tudo é noite, loucura, delírio, silêncio...
E pasmem, uma solidão profunda coletiva!
Marta Vaz
domingo, 10 de abril de 2022
Em Voz Alta
![]() |
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
Um brinde à insônia do que atordoa
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
Exposição
Temo a exposição,
Mil olhos despindo a alma
Um preço tão alto, tão injusto!
Sorrisos irônicos, vazios,
Vasculhando expressões
Parafraseando com verbos que sequer ousamos dizer.
Perdi tempo, chances, beijos, momentos, sorrisos e o colorido da vida
Aprendi a ser só, vestir a solidão como um escudo
Esconder sentimentos, sem deixar de senti-los realmente
Amar me inspira, Amor!
Fogo que arde sem queimar, fazendo delirar.
Tantas bocas não falam nossa língua;
Tantos olham sem enxergar.
Se encantam com o canto, com a arte
Apenas desejam por desejar.
Aprendi com a exposição a gritar
Expressar ao que sufoca sem matar;
A amar sem medo e a viver toda falta que sobra em mim.
Marta Vaz
domingo, 22 de agosto de 2021
Quase canção
Deixei de ler suas cartas
Mas nada apaguei da memória
Nem aquele seu toque atrevido,
Apertando minha cintura pelo vestido.
Eles nada sabem,
Que sorte a nossa!
Escapando, escorrem os sentimentos
Quanto tempo perdido!
O deles ou o nosso?
Os silêncios falam tanto!
Somos pura poesia
Vibrando em notas musicais
em proposital suspensão
Para durar além da normalidade.
Esse desejo pulsa, grita
Posso sentir o ritmo acelerar
Como os abraços que nunca vão nos roubar.
Sinto tudo, sinto muito,
por nunca deixar de sentir.
Nada foi embora e nunca irá
Coisas muito bem guardadas
Como na quase canção
que não chegamos a cantar
Pouco importa...
Nunca foi pouco, o tanto que está em nós.
Marta Vaz
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
Que Seja
Quero reescrever o destino,
Redescobrir essências
Ir fundo, embriagando-me desse âmago enigmático
Viver as sombras, provar dos medos
Fazer o que ninguém conseguiu
Completar-me em sua incompletude
Ser uma em duas,
Numa esquina da cidade nua
Falar bobagens, as mesmas que excitam os casais.
E quando for algo mais sério,
Ser apenas verdade.
Não vou mais pedir chance
Vou arranca-la sem piedade,
Despi-la
Da mesma forma que seus olhos fazem com libido.
Sem idealizar, apenas provar
Ser o mais velado desejo
Explodir nesse encontro
Ser qualquer sentimento
Que seja,
Tornar-me sua, nesse momento
Sem deixar escapar vontades
E se tiver que ser mais
Que seja.
Marta Vaz
domingo, 8 de agosto de 2021
Passional
Não, não em palavras
Pela negação que entrega
Pelo tempo perdido, empurrando ao abismo
Vai, xinga alto...
Grita: exagerada, passional...
Arranca minhas roupas com o olhar
Esse olhar navalha, que dilacera até a alma
Derruba qualquer barreira.
Como num salto, rendo-me ao encanto
Ao som das letras que saltam e se encaixam
Como corpos ardentes, elas fazem Amor
Fazem poesia da dor
E aos olhos do mundo, invisíveis
Resistem, pulsam e ardem de prazer
Derramando sentimento em cada poesia
Nuas, ou bem vestidas,
Andam desarmadas na mesma esperança.
Marta Vaz
domingo, 31 de janeiro de 2021
Desafio
Poderia derramar no papel a mágoa que invade
Poderia dizer coisas sem nexo, falar de sexo
ou de toda sacanagem que me imputas.
Mas escolho calar, sentir além das vãs aparências
Mergulhar no vazio que se agiganta
Chegar ao fundo da alma
e lançar um desafio.
Fitar o reflexo nesse grande espelho
O que resiste nesse interior mais velado
Apenas ir, sem horário marcado pra voltar,
Sem culpas pra carregar
Fazer de mim tudo aquilo que me falta
Ser essa falta e a fiel solidão
Poesia, melodia, delírios e Amor
Com toda intensidade que a dor proporciona
Morrer passo a passo sorvendo esse sentimento
Renascer mais integra, verdadeira e minha.
Marta Vaz
sábado, 18 de abril de 2020
Anima
Gosto de me ler,
Escrever sem muitas explicações.
Inspira-me as canções, as emoções.
Gosto de ouvir sentimentos
Quase posso tocá-los
Imagina-los em minha pele.
Despir a persona dos desvarios desejos
Viver intensamente o tão sonhado.
Alimentar a anima com tudo que é leve, bom.
Findar as angustias com um beijo.
E ser o que tanto desejas.
Marta Vaz
Fotografia de Michael David Adams.
terça-feira, 6 de agosto de 2019
Inspiração
Tanto Amor derramado no papel!
E a solidão ainda pulsa,
retalhando esse sentimento
Fragmentando o pensamento
Retrocedendo o id à memórias
que insistem em não calar nossa história.
Uma música suave toca o desejo
Inspiração para o que parecia esquecido
Mas a vida pulsa no corpo
Esquenta a alma fazendo um verão
Suando e transbordando a lealdade.
Tudo parecia tão perdido!
Tão distante!
Mas o encanto não morre nunca!
No agora a fala é breve mas contínua.
Os corpos esculpidos pelo tempo
confirmam as marcas desse viver.
A espera sempre vale a pena
Quando agregamos nesse crescimento.
Aquele intento ou lamento
hoje é passado.
O que insiste é o que realmente importa
Dentro de mim ou de você
o que pulsa vai e deve acontecer.
Marta Vaz
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Confluência
Se entreolhar e sentir a distância se agigantar
Perceber um abismo em nossos pés
Todo sonho escorrendo sem parar
como a areia de uma cruel ampulheta
Indo pra não mais voltar.
Tanta dor em farpas trocadas!
Tapas que o tempo não para de dar
Ofertamos a outra face, passivamente?!
A natureza não é pacífica
Não chegamos aqui apenas para morrer
Preciso viver, precisamos crer!
Nego que viemos para o sofrer.
Dos meus poros flui paixão
Desejos que assaltam o peito
Já foi escolhido esse viver,
Um acordo mútuo onde não cabem trapaças.
A pele sente o vento da indiferença
Mas o clima é quente, ferve
Uma ebulição de tudo que pode dar certo.
Rasguei o passado assim como a alma de tantas vindas
Mil faces de mulher vivida que sabe ser homem também.
Estamos além do que dizem ser o certo,
Somos acúmulo de erros, dos mais bem vividos.
Sem amarras, sem algemas
Que a cura flua como pura fantasia para voar
Flutuar além dos problemas
Para que sintamos mais vida
Numa conjunção que seja apenas amar.
Marta Vaz
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Prazer!
Nuvens se dissipam
Faz-se azul
Do céu ao mar
Tudo é sentimento
As línguas tragam muitos verbos
Arrancam gargalhadas rasgadas
Suores, vapores da paixão
Beijos, provas reais do encanto
O silêncio invadido pulsa, pulsa, pulsa,
Amor
Quanta vida esculpida naquela carne!
Travesseiro agora repousa seu cheiro
Todo desejo escapando pelos poros
Fluindo fazendo história.
Imaginação assaltando o real
O tempo parou
No espaço apenas dois corações
Nessa dança lenta, volúpia escoa
Passos marcados pela saudade
Agora toda vontade é
Prazer...
Marta Vaz
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Sempre Recomeços
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Cúmplices do desejo
Farpas escapam do pensamento
Cores pálidas em peles nuas.
Mesclam com a solidão.
O amor sangra, escorre por entre os dedos
Ensejo, medo, tantas possibilidades veladas.
Reveladas só nas fotografias
E no toque do pincel a tela fria.
Mistura de sentimentos
em tons vibrantes.
Pulsa a vida,
Toca em uma canção.
Quando chega a noite
Sonhos são espalhados pelo chão
E um céu sorri daquela boca.
A lua brinda a ela com um beijo
Tudo é leve,
A falta é breve
A luz invade a sala em sorrisos fluidos.
Refletem toda falta pelo olhar
O calor inflama os corpos e o sofá.
Estão vivos novamente.
Matam o segredo
Arredam as dúvidas
Explicitam perversões
Agora,
Reféns e cúmplices do desejo.
Marta Vaz
sexta-feira, 22 de maio de 2015
A Fama
Todo mundo ama a fama
A fama de quem faz um mundo
O mundo que ergue um muro
O muro onde a maioria anda.
O mundo que gira
Atirando lama
Na cara de quem deita
mesmo sem fama
Na conversa de quem ama
só pra cama.
Desamam aquele que tem fama e o negam.
Desfazem da beleza
de quem apanhou da fama
De quem toca o mundo
De onde vem a grana.
E que mesmo do muro
Supera barreiras
E ama.
Marta Vaz
segunda-feira, 30 de março de 2015
Sem disfarces
Não acredito em quem traja o medo
Não quero esses seus segredos
E muito menos a frieza das lamentações.
Rasgue as máscaras da solidão,
Disfarces pontuais do ego.
O veneno escorre pelas pontas dos dedos
Entorna, manchando a poesia no papel.
Não gosto de mentiras
Nem das amarras desse sentimento arrastado.
A boca que é marcada pelo desejo de quem não viveu
Tem os sonhos sabotados pela covardia
Quem acha que sou?
Pouco importa se acreditaria.
Dúvidas são inerente a quem cria
Sigo sem certeza alguma,
O tempo é curto para ser perdido.
Quem deseja, revela
Quem sorri, encanta
Quem espera, nem sempre alcança
Mas quem cansa, desperta
E do nada faz algo acontecer.
Marta Vaz
terça-feira, 24 de março de 2015
A Volta
Você na sua pressa
Uma forma de adeus peculiar?
Estou no meu silêncio,
Cansei de esperar pelo sonho
Não durmo, nem sonho mais.
Vivo os dias, soltando amarras.
Agora chegou a minha hora
Estou voltando, retornando à casa.
Não, o filme não acabou!
Mas a roupa não me cabe mais,
É outra...
Minha vida, louca.
Meus desejos, nada fáceis de compreender.
Misto de solidão e companhia
Não verterei mais lágrima alguma.
A tempestade se foi
Agora aurora e calmaria
Brisa que acaricia, voz suave do amar.
Liberta e pronta pra dançar.
Essa minha obra não será a última.
Uma nova vida se descortina
Já sinto o seu perfume
Sua calma, paz serena.
Estaremos sempre juntas
O Amor é a razão
É Luz na escuridão
Sinta, Amor
E tudo estará aceso.
Marta Vaz
Espelho meu
Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...
-
Tantos versos, Tanto Amor derramado no papel! E a solidão ainda pulsa, retalhando esse sentimento Fragmentando o pensamento Retrocede...
-
Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...
-
Por que o corpo nu causa tanta polémica ou espanto? Nascemos nus e nos vestimos para proteção. Nos banhamos nus para remoção das impurezas....
















