segunda-feira, 22 de março de 2010

Cronica: O que é ser Homem na sociedade moderna?


Estou a meses ouvindo comentários a respeito de um rapaz participante de um reality show em uma grande emissora de TV. Esse jovem conseguiu conquistar fãs e seguidores em muitas partes do Brasil, que o descrevem como uma pessoa sincera, honesta, verdadeira que não esconde sentimentos e fala na cara o que pensa. De tanto eu escutar quis conhecer quem é esse "príncipe" e como ele mesmo se descreve, deparei-me com um "ogro", o pior é que os ogros das histórinhas, ainda conseguem ser mais doces do que este rapaz.
O que será que está acontecendo com os valores da sociedade? Até onde ser mal educado, grosso, desrespeitador e preconceituoso pode soar sinceridade e nobreza de caráter?
Ser homem na nossa sociedade é ser desta forma, um ser desprezível e anti-social? Esse é o modelo que jovens e as mulheres modernas, ou não tão modernas assim, escolheram para representar a classe dos homens convictos?
As dúvidas pairam sobre minha mente e a todo instante alguma coisa teima a catucar-me, pois sou mulher e gosto de homens. Mas sou culta e esclarecida, pelo menos até hoje era convicta disso. Mas diante do protótipo do macho que hoje a sociedade elege, não pude deixar de rever meus conceitos. Afinal nunca imaginei que as mulheres gostassem de ser tratadas com tanto destrato e indiferença. Diante disso tenho que reler Nelson Rodrigues em suas fantásticas narrativas de homens canalhas e mulheres objetos, mas mesmo assim não consigo encontrar nada semelhante ao que hoje, homens e mulheres escolheram para imagem ideal do homem brasileiro. Acredito que mesmo diante do Rei do cangaço, "cabra-macho nordestino" essa nova escolha é mais assustadora. Ser grosso ou cruel por opção à uma vida dura sem o racionalismo que a educação nos oferece é até perdoável e digno de ser contado. Mas ser preconceituoso, mal educado, insensível e manipulador por opção é indefinível, deixo para os fãs...
Com toda essa lamentável apreciação rendo-me aos homens que se dizem "drags", pois com todos os trejeitos e cores exóticas, não esqueceram que são homens de verdade e apresentam sentimentos, não temem o choro em suas fraquezas, ao contrário admitem seus erros e pedem desculpas em caso de "mal entendido". O pior nisso é que esses homens não curtem as mulheres para um relacionamento intimo, preferem aos outros homens.
Nesse ponto vou parar, reavaliar toda essa nova "conquista" humana, mas não é muito difícil e se não fosse trágico seria cómico, concluir: Estamos a ponto de derrubar a Teoria Evolucionista de Darwin e criar uma nova Teoria para tentar explicar o retrocesso da espécie humana. Preconceitos à parte, alias sempre preferi conceitos a eles, diante de todo avanço tecnológico a máquina humana é a única que não avançou realmente, ela preferiu criar substitutos cibernéticos para retornar a condição Neandertal. Será isso por acaso? Deixo a conclusão para os poucos que ainda pensam comparados a uma sociedade tão grandiosa, em números.
Marta Vaz

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Loucura e o retrato


Numa cabeceira ali jaz ele,
Cor desbotada e moldura sem brilho.
Era a bengala para aquele homem...
Será que o fazia mas forte?
Ou fraco talvez?!
Mas era a ele que toda noite beijava.
Como aquela mulher de outrora.
Acreditava piamente;
Que todas as noites dormiam juntos.
Chegava a sentir seu cheiro empoeirado.
Sua mente recusava-se a enterra-la.
Sua sanidade a santificava;
E a loucura a enquadrava,
Trancada num retrato.
Ao lado de sua face;
Hora confundiam-se nos disfarces.
Se esse homem contempla a vida?!
Ele faz muito mais que isso...
Ele a eternizou de tanto amar!
Chego a pensar, se retratos deveriam existir...
Simples pedaços de lembranças;
Que muitas vezes são fios de vidas.
Vidas que será que não existem realmente?
Nos porta retratos tornam-se tão reais!
E a felicidade escoa como numa ampulheta.
Mas se estiver errada?
E a felicidade for a enquadrada?
Não ficarei para saber;
O meu tempo é curto diante da eternidade.
Não guardo retratos, alias não gosto de fotos.
No espelho da vida fitei o olhar desse homem;
Nos confundimos em sobreposições de imagens.
Não quero estar também enquadrada ao lado dele!
Nem ser a ele...
Quantas vidas se confundem diante do espelho?!
Minha sanidade deu lugar a liberdade da loucura;
E nela escuto Deus.
Voo em pensamentos...
Desmancho-me em lágrimas de emoção.
Todos os dias, uma nova canção.
Só peço um favor...
Não fotografe esse momento!
Ele não caberia em uma moldura.

Marta Vaz

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Natural


Cheguei a esse mundo sem vestes
Sem saber falar e com tão pouco enxergar
Mas a cada gesto sorria ou chorava

Esse era meu canto,
a forma de dizer ao mundo estou viva.
Crescendo percebi além das fronteiras do quintal

Pela janela via a chuva cair
Encantava-me com as gotas na vidraça

Tentava contá-las e acabava sorrindo por perder a conta.

O mundo era tão natural!

Tão grande o céu!

Tão salgada a lágrima!
Assim como a água do mar que nunca esquecerei.

Tentei descobrir o caminho para a china

Levei uma surra por fazer buracos no quintal
E hoje minhas lágrimas são de alegria

Fui criança, vivi um mundo mágico!

Trago nas mãos o perfume das flores do jardim

Nos cabelos o cheiro do mar

E no peito o amor

Tenho as pintas de um dia forte de Sol

E a certeza do muito que vivi.
Não sei se serei tão grande quanto as minhas experiências

Mas sou experiente o suficiente
para saber que sou única para Deus.

Marta Vaz

sábado, 23 de janeiro de 2010

Desilusão

Não sei se devo chamar de babaca?
Ou me calar?
Se vale a pena só para desabafar?
Ou simplesmente deletar?
Sentir-se acima do bem e do mal,
Pisando corações, só por não conhecer a dor?
Nem muito menos o amor?
Vou revelar, desabafar tudo que eu deveria ter dito.
Para não ter ficado o dito pelo não dito.
Também lhe achei uma merda de homem!
Nem beleza interior pude encontrar!
Seria mais um para conversar.
Mas seu papo chato,
Raso sem o mínimo de envolvimento;
Fez-me perceber mais os movimentos ,
Das pessoas que por mim passavam.
Viajei enquanto sua boca cuspia palavras.
Eu sonhava, estava longe...
Pensava no amor, num olhar.
Num toque apenas que me fez arrepiar.
Traí sua presença vazia!
Mas não traí minhas convicções.
Pois me alimento de amor!
E não sou a mulher que julgou ser a mendiga!
Aquela que suplicava seu amor.
Eu já estava amando,
Muito antes de encontrar com você.
Sinto, mas era o que eu tinha a dizer.
Mas pelo pouco que percebi,
Preferi transformar tudo em Arte;
Assim não perdi meu tempo.
Transformei sua inútil persona,
Em mais uma rica experiência.
Não se tira uma mulher para dançar;
Se não conhece nem a música,
E muito menos a mulher.
Serei inesquecível,
Pois tive a coragem de escrever;
Você como homem é apenas mais um.
Marta Vaz

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Minha Verdade...


Diante da calamidade de um terremoto;
Tantos órfãos!!!
Tanta solidariedade impedida pela burocracia.

Quantos ainda vivos brotam da terra!

E quantos putrefatos sem terem um buraco apenas.

Vejo isso pela tela;

Uma prisioneira de mim.

Preciso de amor!

Seco diante da dor.

Sou órfão de família viva.

Fiz no musgo minha trilha,

E por ela sigo

Desde muito nova.

Sou uma andarilha;

Percorro aos cantos da minha mente.

Taxada de irresponsável;

Por não assumir os erros ou acertos de outros.
Não sou muito gregária.

Nem agrego-me com facilidade.

Acredito que alguém possa completar-me;
Bastar-me, por me querer de fato.

Não valorizo a grana de ninguém;

Nem carros novos ou caros perfumes.

Prefiro o cheiro do estrume;

Que fertiliza a terra

Ao iludir-me com coisas tão banais!

Gosto de flore!

Lembram amores e amantes.

Pena que secam tão rápido!

Como a vida dos escravos da beleza.

Assim como nas flores;

O que fica é o que toca no coração.

A verdadeira beleza está em ser seu ou sua;

Mas que seja feito de puro amor.

Marta Vaz

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Imortal


A alma está calada,
Em mãos frias, geladas
Pairam dúvidas na mente

Onde estão as referências?
Solidão,
Sinto-me assim

Apenas o eu e mais ninguém.

Escuto a cada pensamento,

Sinto vida.
Nos momentos em que falta o ar

Nunca deixo-me ser vencida
 
Ou a tal morte me levar;

E ela segurou-me algumas vezes

Fez-me sentir sem chão

Mas neguei-me a segui-la

Não, agora não!

Cada dia uma nova vida

E quero mais.

Tenho fome de viver
Não tenho relógio,

Esqueço o tempo.

Encaro a cada momento,

Como sopros de esperança.

Por vezes desejei ser a criança
 

E ter um colo quente
Um afago, um copo de leite morno

Desejei mais gente.

Só para quebrar o silêncio,

E poder ressurgir nessa multidão.

Alguém?

É você!
Dei-me sua mão!

Para que não esqueça o toque 

Sinta-a em meus desejos,
Principalmente o beijo

Que será imortal em mim.

Marta Vaz

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Busca


Sentimentos se confundem
Se fundem as minhas partes
Choro em absoluto silêncio
Escuto o meu coração
Cada lacuna, cada átrio
O fluxo do sangue a ferver
Alimentando cada desejo
Colorindo minha pele
Esfriando nas mãos
Tremulas ao ouvir a saudade
Ao sentir toda emoção retida
Derretida pelas notícias da TV
Sinto o pulsar de cada coração aflito
Reflito, procurando a solução
Para cada falta que me toca
para cada rosto que ao meu se reflete
Meus olhos fitam o desespero
E ao mesmo tempo ao infinito
Busco Deus nos semelhantes
Tão diferentes de mim
Talvez seja essa a principal lição
Amar ao meu próximo
Mesmo que a distância exista
Como que num dom
Aproximando todos pela busca
Encontrando mãos mesmo por vãos
Segurando-as pela fragilidade
Mas firmando-as e confirmando-as
Pelo amor que nos faz irmãos.
Marta Vaz

Espelho meu

Nua ao espelho Vejo os olhos que um dia fitaram os seus  As mãos que ao microfone disseram tanto O tanto que você não ouviu Aquele mesmo que...